Como é a primeira sessão com um psicanalista
Não há questionário, teste nem roteiro. Entenda o que acontece nos primeiros encontros, para que servem as entrevistas preliminares e o que se combina antes de a análise começar de fato.
Por Ana Toledo, psicóloga e psicanalista • CRP 06/189777
• 6 min de leitura
Quem nunca fez análise costuma chegar à primeira sessão com uma pergunta: o que eu vou dizer? Às vezes a pergunta vem acompanhada de outras — se é preciso contar a vida inteira, se o psicanalista vai ficar em silêncio, se aquilo vai dar em alguma coisa. São dúvidas legítimas, e boa parte delas se desfaz quando se entende como os primeiros encontros funcionam.
Antes de tudo: o primeiro contato
O primeiro passo é apenas dizer que você procura atendimento. Não é necessário explicar o motivo por mensagem — na verdade, é melhor que não seja por ali. Uma mensagem de WhatsApp não é o lugar para aquilo que se vai trabalhar na sessão; o objetivo desse contato é só verificar horários e combinar o primeiro encontro.
O que acontece na primeira sessão
Na primeira conversa, você fala do que o trouxe, do jeito que for possível. Não existe uma pergunta certa para começar nem uma ordem a seguir. Há quem chegue com uma questão bem definida — um luto, uma separação, uma angústia que não passa — e há quem chegue com uma insatisfação difícil de nomear. As duas situações são pontos de partida igualmente válidos.
O psicanalista escuta, e também pode perguntar. A ideia de que ele passa a sessão inteira calado é mais caricatura do que prática, sobretudo nos primeiros encontros. O que ele não faz é conduzir a conversa para um roteiro pronto ou aplicar um questionário: a escuta vai delineando a questão a partir do que você traz.
Chegar sem saber o que dizer não é um problema — muitas vezes é justamente o começo.
As entrevistas preliminares
Os primeiros encontros têm um nome: entrevistas preliminares. Elas não são uma formalidade nem uma triagem. Servem, ao mesmo tempo, a três coisas:
- Delinear a demanda. O que se diz no começo nem sempre coincide com o que está em jogo. Ao longo das conversas, a questão ganha contorno.
- Avaliar a indicação. O psicanalista avalia se o trabalho analítico é indicado naquele momento ou se outro tipo de cuidado seria mais adequado — e, nesse caso, orienta um encaminhamento.
- Verificar a condição de trabalho. Você também avalia: se sente que pode falar com aquela pessoa, se o lugar e o horário são possíveis na sua rotina. Essa é uma decisão sua.
Não há um número fixo de entrevistas. Em geral são alguns encontros, o suficiente para que a decisão de seguir seja tomada com informação, de parte a parte.
O enquadre: o que se combina
Se a decisão for seguir, combina-se o enquadre — o conjunto de acordos que sustenta o trabalho:
- Dia e horário fixos, que passam a ser seus toda semana;
- Frequência semanal, definida de acordo com a demanda;
- Modalidade — presencial ou, quando indicado, online;
- Honorários e a forma de pagamento;
- o que acontece em caso de faltas, férias e remarcações.
Pode parecer burocrático, mas não é. A constância do horário e a clareza dos combinados fazem parte do método: criam as condições para que se possa falar com liberdade, sem que a cada semana seja preciso negociar tudo de novo.
Como se preparar
Não é preciso se preparar. Não traga anotações, a não ser que queira; não ensaie o que vai dizer. O que ajuda é algo mais simples: chegar com alguns minutos de antecedência, com o celular em silêncio, e reservar um tempo depois da sessão, se possível, antes de voltar às tarefas do dia.
Na Atenta, o atendimento acontece na Avenida Santo Amaro, 5346, Sala 12, no Brooklin, a 5 minutos a pé do Metrô Brooklin (Linha 5–Lilás, Saída A). Na chegada, você se identifica na portaria 24 horas do edifício e sobe para a sala no horário marcado. Veja como funciona o atendimento de adultos.
Dúvidas comuns sobre a primeira sessão
E se eu não souber o que falar?
Não saber o que dizer é comum e não atrapalha. Na psicanálise, o ponto de partida pode ser justamente a dificuldade de começar. O psicanalista pode fazer perguntas e o silêncio também tem lugar na sessão.
Preciso contar tudo sobre a minha vida logo no início?
Não. Não existe uma ordem nem um conteúdo obrigatório. Cada pessoa fala do que for possível naquele momento, e a história vai se construindo ao longo dos encontros.
Quantas entrevistas preliminares são necessárias?
Não há um número fixo. Em geral são alguns encontros, o suficiente para que a questão comece a se delinear e para que paciente e analista avaliem se há condição de trabalho. A duração varia de pessoa para pessoa.
Posso decidir não continuar depois das primeiras conversas?
Sim. As entrevistas preliminares existem também para isso: a decisão de seguir é tomada de parte a parte, com informação. Não há compromisso de continuidade antes de o enquadre ser combinado.
Este texto tem caráter informativo e não substitui uma avaliação profissional. Em situação de risco imediato, ligue para o SAMU (192). Apoio emocional gratuito 24 horas: CVV, telefone 188.